
"Ficar triste é ruim. Ficar feliz é bom. A gente aprendeu isso há tanto tempo que fica até meio estranho discordar. São verdades tão verdadeiras quanto dizer que chocolate é gostoso (se você não gosta de chocolate, desculpe).
Eu não vou ser louca de criar caso. Amo ficar alegre e acho chatíssimo me chatear com alguma coisa. Até aí tudo bem, mas onde entra aquela tristeza gostosinha, que às vezes invade a gente? Calma, vou explicar.
Não estou falando que tristeza é necessário, importante e tal. Isso, você já deve ter reparado. Se você vai terminar seu namoro, sabe que, até se sentir bem de novo, vai ter que aguentar a dor.
Se você se decepcionou com alguém, depois vai acabar vendo como aprendeu com aquela situação, por mais que tenha sofrido na hora. Ninguém escapa de ficar triste às vezes e, se alguém diz que nunca fica triste com nada, tendo a acreditar que essa pessoa está mentindo. Ou que é bobo, mesmo.
Porque como vamos crescer, mudar e amadurecer sem passar de vez em quando por aqueles momentos-bola?
Chamo de momentos-bola aqueles em que a gente sente que tem uma bola aqui dentro, que sobe e desce, apertando nossa garganta, nosso coração.
É um saco, é triste, mas, quando passa, a gente vê como foi bom. Ou não é?
Como diria uma amiga minha, há males que vem para o mal. Mas essa minha amiga é bem pessimista, sabe. E além do mais, essa coluna não é dela. Então continuando com a minha visão otimista, porque é nela que eu acredito: momentos-bola são superválidos. Sempre!
Mas apesar de ter gastado um parágrafo inteiro, não é dessa necessidade de tristeza que estou falando. Meu ponto aqui, é aquela triste gostosinha, sabe. Aquela do título. Aquela que, de longe, se você olhar com um certo distanciamento, parece até alegria.
Uma vez, quando um namoro meu acabou, fiquei muito mal. Muito mesmo. Não era uma bola que tinha dentro de mim, mas o globo terrestre inteiro. Bom, um dia no meio dessa tristeza toda, fui preparar um macarrão. E aí lá pela terceira garfada, comecei a chorar. Só que, no meio do choro, olhei para essa cena, como se eu estivesse olhando de fora, sabe, como num filme. E pensei: 'Credo, eu estou comendo macarrão e chorando. Eu estou triste MESMO'.
E acabei dando um sorrisinho. Um sorriso triste, claro, mas um sorrinho. É isso que eu estou querendo dizer com tristeza gostosinha.
Às vezes vivemos tão no automático que esquecemos como somos vulneráveis à vida. E é tão legal ser vulnerável. Nessa hora não importam aqueles questionamentos sobre a existência de Deus, vida após a morte e coisas assim: no momento da tristeza, tudo faz sentido. Porque, naquele momento, nos importamos muito com alguma coisa. Nos importamos ao ponto de... chorar comendo macarrão. Aí, a gente aperta nosso braço e pensa: nossa, eu estou viva.
Tá, a gente não precisa realmente apertar nosso braço pra saber que estamos vivas, mas você entendeu, né?"
Liliane Prata